Em que as autoridades fiscais concentrarão sua atenção em 2026?

março 16, 2026

Com o início do ano fiscal, as empresas multinacionais se deparam com a questão de quais serão as prioridades das autoridades fiscais. Em um cenário de fiscalidade internacional em constante evolução, as autoridades estão alinhando seus planos estratégicos para 2026 com o objetivo de implementar um controle mais sofisticado, apoiado na tecnologia e na cooperação global, para garantir que os lucros sejam tributados onde o valor é realmente gerado.

O papel da Inteligência Artificial na fiscalização

O uso de ferramentas de Inteligência Artificial será o pilar fundamental para gerenciar de forma eficiente a enorme quantidade de dados em poder das autoridades. Essa tecnologia permitirá que os auditores realizem cruzamentos de informações mais precisos, avaliando não apenas o cumprimento formal, mas também a rastreabilidade dos dados declarados e a confiabilidade dos sistemas de informação dos contribuintes.

Pontos críticos: Economia digital e Preços de Transferência

A atenção das autoridades se concentrará especialmente em setores de alta complexidade. A economia digital, impulsionada por mecanismos de troca de informações como o DAC 7, e o controle de criptoativos serão prioridades imediatas.

No que diz respeito aos preços de transferência, o foco permanecerá nos grandes grupos multinacionais, intensificando o controle em:

  • Operações com margens baixas: Entidades de risco limitado sob suspeita de erosão da base tributável.
  • Serviços intragrupo e royalties: Verificação da substância econômica e do benefício real recebido.
  • Reorganizações empresariais: Análise detalhada da transferência de funções, ativos e riscos.

Evolução do ambiente regulatório e cooperação internacional

O ano de 2026 marcará um avanço na implementação de projetos internacionais como o Pilar 2 da OCDE, adaptado de acordo com as diretrizes recentes do relatório “Side-by-Side”. Além disso, espera-se um aumento nas inspeções conjuntas entre diferentes administrações tributárias, o que exigirá das empresas uma consistência absoluta em sua estratégia de defesa global, indo além da simples documentação formal.

Recomendações para empresas multinacionais

Para mitigar riscos diante de fiscalizações cada vez mais técnicas, recomenda-se às empresas:

  • Garantir a rastreabilidade dos dados: Verificar se as informações nos diversos modelos declarados (como o Relatório Local ou o 232) sejam consistentes e auditáveis.
  • Revisões preventivas de substância: Confirmar que as operações intragrupo reflitam a realidade operacional e o modelo de negócios atual.
  • Antecipação normativa: Avaliar o impacto das novas diretrizes da OCDE e de projetos como o Pilar 2 em sua estrutura fiscal.
  • Fortalecimento da documentação: Não se limitar ao formal; fundamentar o “porquê” econômico de cada transação.

Conclusão

As tendências para 2026 indicam que a fiscalização será mais previsível, mas também muito mais precisa. A capacidade das autoridades de detectar inconsistências por meio do uso de dados e da cooperação internacional deixa pouca margem para erros na estratégia de Preços de Transferência. Por isso, as empresas devem respaldar sua conformidade com uma análise técnica robusta que sustente a realidade de suas funções e riscos diante de um ambiente de controle digitalizado.

TPC Group, como empresa especializada em Preços de Transferência, assessora grupos multinacionais na prevenção e defesa contra fiscalizações sofisticadas. Avaliamos a consistência de suas políticas de Preços de Transferência face aos novos padrões da OCDE e às ferramentas de auditoria digital, fortalecendo a posição do contribuinte em um mercado global cada vez mais transparente.

Fonte: Legal Today

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